O infinito mar molha de verão a areia fina em que caminho,
O vento canoro me enternece com sussurros alísios,
O sol prazenteiro aquece e ilumina a minha alma,
Espaço-tempo
Verso uno
Asas
Brasília, ontem de noite
Norte
De manhã, Brasília
Sul
Universo cidade
E essas pessoas, todas, de tantos lugares, meu Deus!
De onde vão?
Para onde vem?
Passos passam depressa
nessa busca por uma subjetividade diplomada
Passos...
Ora passam solitários
Ora passos solidários
Eu as vejo
Eu sinto
muito
tanto
que me vejo passar
em outras tantas pessoas
sonhos-eixo, frustrações de em torno, medos-piloto, conquistas satélites
saudades de quem?
De quando?
Saudades de onde?
Quero ir para casa, descansar
num sábado à tarde, qualquer...
Mas, não há casa para descansar
Só o acaso, o ocaso das horas e uma pressa de poder passar o tempo em algum espaço
que caiba o meu relógio, os meus livros,
a arara onde penduro utopias-roupas com as quais visto os meus dias,
o rádio, os meus segredos patéticos que ninguém quer saber, minha caneca do inter
e o que sou...
O que sei? O que tenho?
Mochila pesada
Dor nas costas
Eu lavo muita louça
Mazelas, misérias...
Às vezes, lágrimas
As vozes, secas
no meu verso nu...
eu, no meio da rua
Será que chove hoje?
Eu vi o som e a cor do encontro
O acordo das cores que pintam as paisagens que nos habitam
Eu vi o som
e ouvi a cor do sol do seu sorriso esperto
Teu eu diz perto ao meu
A nossa troca de experiências desperta, desata
Não somos nó: somos nós!
Decolonizando os gestos
olhares, toques, narrativas que passam por lugares
Performamos a energia das ruas que nos percorrem...
memórias dos nossos corpos semoventes
No ser, no estar
A paz na fala é clara, a luz se manifesta
Sua fala calma, chama e a minha, clama na alma
Juntos bebemos o feitiço da noite em copos de vida
Do Pantanal à Lagoa: somos encontros expandidos
Comemoramos, comemos o instante que nos consubstancia
Conexões, beijos, risos, surpresas, mistérios, imersos na imaginação do tempo
Somos templo?
Juntamos gentes que nos atravessam: conhecidas, aleatórias, contraditórias...
Bruxos na dança das horas que se vão furtivas
Ora arrazoados, ora desvairados
Manifestos na marcha pela liberdade
Nossas corporeidades, livres, empunham a mesma bandeira.
Entre o verso e o universo, somos passos nos espaços em expansão
Eu quero que a poesia dos encantos expedidos nos abrace
Presencialmente ou nos sentipensamentos que se liquefazem e nos conectam.
Ouvi a imagem onírica de um rio grande do sul que deságua cores e luzes na baía.
Eu vi o som de ti em mim…
Florianópolis, 11 de julho de 2021, numa madrugada qualquer...
Ainda é noite aqui, na ilha
E aí?
Aqui é noite e chove copiosamente...
Da janela do meu quarto, ouço a chuva levando embora cascalhos, encontros,
imundícies, folhas, meus planos de sair hoje à noite...
Tudo se vai, na enxurrada, para algum lugar que não sei onde.
Da janela desse quarto vazio de tempo
e sentido,
Contemplo inerte a chuva de noite:
vertiginosamente melancólica.
Chove lá fora, eu sei
E chove também,
aqui dentro,
em mim...
Numa tarde mole dessas, de inverno
Na praia, um encontro combinado
Você sentado na areia, capacete ao lado
Ali, na praia vazia de gente, mas, de silêncio marejado
Parado
Você, sozinho: de solitude acompanhado
parado
Na mão, uma cerveja... Não me vês. Sim, embora eu te veja
Parado
Olhando para o mar...
Parado
Esperando um por-do-sol num espaço-tempo espraiado
Parado
(Distante...)
A poesia sorrateiramente chega. Para, atrás de ti e apunhala o instante.
Pelas costas, num gesto inesperado, um golpe breve
E você, obnubilado pelo ocaso, soçobra em pensamento: será que algum dia viveu antes de morrer de amar?
As águas do mar dançam sob o sol
No céu, um azul onírico azuleja o dia
Mar ritmos
Na areia molhada, os passos seus
Eparsos passos
Espaços de tempo marítimo
O vento brincante sopra os seus cabelos
e traz um som de uma canção distante,
perdida na memória de alguma coisa que você não
sabe, apenas sente
O sol em seu corpo de maresia
Sal e ouro
Os olhos mergulham
segredos verdes nas águas salgadas
Sagradas lágrimas
Ver de mar a mar o infinito que ultrapassa o
horizonte
Um mar de sentimentos inunda os olhos
Quanto mais ver-te
Mais verde o olhar
O mar...
Há mar de mais amor
O amar...
De se jogar no mar
Amar demais...
Tatuado em teus pés, as ondas que desenham o caminho
para o mar além
e que desaguam saudades de algum lugar
para onde o amor te quer de volta.
Para além-mar?
Para onde o amor quer te levar?