Lago Paranoá
Paranóia noir
Logo paira no ar os cheiros e cores do
crepúsculo
A linha do tempo, o espaço, tudo
planejado: lago artificial
Lago Lego?
Nado ou nego?
Lágrimas doces do planalto inundam a
Vila Amaury
Memória é sentimento submerso
Cidade e saudade na profundidade
Rádio comunitária, parque de diversões
com roda gigante,
ruas estreitas forma e sem luz, um
comércio aqui, outro ali,
um pequeno cinema com algumas cadeiras
e projeções,
bares para embriagar angústias e
incertezas,
casas feitas de madeira velha, suor
e esperança candanga
fugindo da miséria, enganados pela grande mentira do capital...
Restos de grandes construções da capital,
sobras de obras, fragmentos de vida...
Tudo em ruínas submersas nas águas da ilusão
que só podem ser vistas por quem
consegue mergulhar
no mais escuro e profundo da história...
Aqui, as águas também são
setoriais
e só não molham o seco sorriso das
empreiteiras.
Havido o progresso, há vida em
processo?
E o povo, de lá? Para onde foram todos com seus
pertences e desespero?
Quem sobreviveu à morte, ainda vive o
presente
embrulhado em papel de futuro incerto?
Passado-presente: tempo excerto...
Em Brasíllia quem sabe, ao certo, se
está errante ou perto?